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OS GUERREIROS QUE NÃO PODEM SE APOSENTAR

 
A carreira na Polícia Civil da Paraíba termina sempre assim: os policiais morrem trabalhando sem direito a uma aposentadoria digna e honrosa.
E isto parece que faz bem aos governantes de plantão e de atrelados ao poder que fingem solidariedade e apoio à categoria.
É injusto.
O delegado José Damião Marçal foi mais um exemplo dessa insana e covarde “vistas grossas”.
Conheci o delegado desde o ano 2000 ( e que muito me honra).
Recentemente, ele num dos plantões, perguntei: “Dr. Marçal, está perto de o senhor se aposentar?”.
Ele então respondeu: “já passou, mas se agente se aposentar…”.
Não precisou ele dizer mais nada.
Um dos delegados mais honrados deste Estado morreu esta semana, aos 67 anos de idade, sem poder se aposentar, pois se isto fizesse certamente estaria passando por privações.
Ao se aposentar lá se vão pelo ralo 40 por cento do salário.
Os PCs trabalham a exaustão, tirando plantões para complementar os salários.
Tirar férias de 30 dias?
Nem pensar.
Como se não bastasse, tem também a tradicional polícia que policia os policiais.
E esta é mais cruel, pois vigia em tom punitivo.
Ai do policial civil que colocar a boca no trombone para cobrar dignidade e um justo e potencial salário para ao menos poder se aposentar.
Vendo assim, de fora, muita gente pode dizer: “Ah, é problema da polícia. Ela que se vire com sua sequela”.
É, de fato, o policial tem que se virar, pois se depender de muita gente que se diz “defensor dos direitos dos policiais”, vai continuar assim.
É como se fosse uma sentença: morra dando o sangue que depois a gente manda uma coroa de flores.
 
Fonte: RENATO DINIZ
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