Sindicato diz que falta de armas e munição compromete treinamento

Cidades – Paraíba * Domingo, 21 de outubro de 2007

Sindicato diz que falta de armas e munição compromete treinamento

No último curso, civis só deram 3 tiros e tinham que comprar balas para 38

A precariedade dos órgãos da Segurança Pública também afeta os cursos de formação dos policiais. De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil da Paraíba, Antõnio Erivaldo, a falta de arma¬mentos diversificados e de munições comprometeu a formação dos novos po¬liciais civis aprovados no concurso público e que participaram do último curso oferecido na Acade¬pol, há cerca de um ano.
“Recebemos muitas reclamações. No último curso, teve policial que só deu três tiros de espingarda 12 e quem quisesse atirar com revólver 38 teve que comprar as balas porque faltava material. Recentemente foi criada uma força nacional, cujo treinamento chega a ser de seis mil tiros. Tivemos um curso bastante deficitário e 1.160 policiais foram treinados nessas condições. O ideal é que eles tivessem dado, nesses três meses de curso, 3 mil tiros com varias armas: pistolas, revolveres, rifles, Ar-15, porque o bandido de hoje usa armas de grande potencia, enquanto os policiais usam armas obsoletas. Os policiais deste curso tiveram as aulas teóricas, mas não tiveram as armas e a munição para treinar tiros, o que é lamentável porque temos um material humano de muita qualidade para fazer uma grande policia e uma segurança de excelência. Faltam motivação, incentivo e investimento na policia civil”, disse. De acordo com o atual diretor da Acadepol Jose Nilo Tavares, a academia conta com armas como revolver calibre 38, magal, espingarda 12 de repetição, pistola ponto 100.40 e pistola ponto 100.40.27 para atender as necessidades de aprendizado e treinamento das turmas. “Nossa formação atende as diretrizes da Secretaria Nacional de Segurança Publica e foca assuntos importantes para a sociedade como os direitos humanos. O curso oferece aulas teóricas e praticas, com uma carga horária de 720 horas/aula. Os alunos dão 70 tiros com vários tipos de armas. Nossa preocupação é que eles possam manusear as armas com segurança e temos nos empenhado para que isso aconteça”. O diretor não soube informar sobre as condições oferecidas nos cursos anteriores porque não estava a frente da Acadepol na época.


Eitel fala em investimento

De acordo com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Eitel Santiago, o Governo do Estado está investindo na melhoria dos salários dos delegados (que atualmente ganham R$ 4,3 mil) e dos soldados da policia militar; na realização de cursos de formação dos policiais; no melhoramento das condições prediais das delegacias e no aumento do efetivo das policias civil e militar da Paraiba. Além disso, está sendo realizado um plano de informatização das delegacias. O orçamento em segurança pública previsto para este ano é de cerca de R$ 8,8 milhões.
Segundo Eitel, os governos anteriores passaram 18 anos sem realizar concurso público e, por meio do último processo seletivo realizado na atual gestão, foi possível contratar cerca de 3 mil policiais militares. Já o efetivo da Policia Civil dobrou e conta com cerca de 2 mil profissionais.
Para o secretário, outra medida que pode melhorar a atuação da policia civil é a implantação de delegados nas comarcas. “A idéia é colocar um de¬legado em cada comarca, para que ele possa atuar no mesmo local onde já existem um promotor e um juiz, deslocando-se, quando for necessário, para os municípios onde houver um flagrante, por exemplo”, disse.
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Servidores da Policia Civil da Paraíba, Antonio Erivaldo, a medida é importante. ”Recentemente foram nomeados 45 delegados para atuar nas comarcas, o que vai valorizar a Policia Civil, Pois além de o delegado trabalhar com promotores e juizes, eles deverão manter residência fixa na comarca”, comentou.