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Revolta dos concursados  

Pra fazer Justiça: a culpa não pode ser inteiramente atribuída ao governador Ricardo Coutinho. Esse pendenga começou com o governador Cássio, que promoveu o concurso da Polícia Civil, criou a expectativa de contratar e não contratou os classificados. Passou pelo governador Zé Maranhão, que também não contratou.

Agora, Ricardo segue no mesmo diapasão. Após a solenidade dos 418 formandos, no Espaço Cultural, último sábado, 1o de abril (logo nesse dia!), o governador avisou que não irá contratar os formandos, no curto prazo, alegando que o Estado está desequilibrado, ou quebrado, dá no mesmo. Mas, não convenceu.

Não convenceu porque, como se sabe, essa história de Estado desequilibrado foi desmoralizada pelo Diário Oficial de 31 de março, que trouxe o balanço oficial de 2010. O governador pode utilizar outro pretexto para não contratar os formandos. Mas, não esse. E foi que causou a revolta dos presentes ao evento.

Logo depois, os formandos postaram na Internet: “Se o Estado está realmente quebrado então porque a criação de nova secretaria toda semana? Mais de 6 mil nomeações… muitos por apadrinhamento político conseguiram emprego. O problema é que concursado incomoda porque não deve favor na urna (!)”.

Adiante, insistem: “Se o Estado tá quebrado como consegue arrecadar R$ 1,27 bilhão em apenas 2 meses? Relatório publicado no Diário Oficial, de responsabilidade da Controladoria-geral do Estado (CGE) aponta uma realidade: apesar do discurso de ‘terra arrasada’ do governador Ricardo Coutinho, a arrecadação de tributos e o fortalecimento das finanças estaduais apresentam bons resultados”.

Mais: “Em relação aos recursos que a Paraíba recebeu do FPE, a Secretaria das Finanças já registra R$ 542,7 milhões. O volume de dinheiro relativo ao IPI chegou a quase R$ 2 milhões. Já no tocante às chamadas transferências voluntárias da União, o Estado já emplacou R$ 564,4 milhões nos dois primeiros meses do ano”.

Resumo da ópera: o governador pode ter outras alegações para não contratar. Mas, não que o Estado esteja quebrado, pois pelo visto não convence mais.

Helder Moura


FONTE: JORNAL CORREIO DA PARAÍBA

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