Policias Civis ameaçam entrar em greve depois das Festas Juninas

Economia

Paraíba * Sábado, 11 de junho de 2005

Policias Civis ameaçam entrar em greve depois das Festas Juninas

Os Policiais Civis do Estado estão promovendo mobilização da categoria e ameaçam paralisar as atividades após o período de festas juninas. Eles alegam ter os piores salários no ranking nacional da categoria. A insatisfação foi expressa em documento,  entregue na última terça-feira (07) ao governador Cássio Cunha Lima e ao secretário de Segurança Pública (SSP), Harrison Targino.

Os policiais reivindicam melhorias salariais e de condições de trabalho, passando, inclusive, pela reestruturação da própria SSP. A exemplo dos policiais militares e dos educadores do Estado, os civis aguardarão a realização de uma audiência com Cássio, antes de partir para uma greve.

“Se o silêncio for a resposta, a categoria pode decidir pela paralisação. Só que, agora com as festas de São João, não cogitamos isso porque o prejuízo para a sociedade seria enorme, com o aumento da violência”, afirmou o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado da Paraíba (SSPC-PB), Antônio Erivaldo Henrique de Sousa.  O Sindicato dos Delegados da Polícia Civil da Paraíba (Sindepol-PB) e as associações da Polícia Científica e dos Peritos, também engrossam o movimento.

Segundo o dirigente sindical, os civis recebem os menores salários do País, e se comparado ao que ganha um coronel da Polícia Militar, um delegado recebe menos da metade do vencimento do primeiro. O vencimento básico de um delegado é de R$ 880,02, somados às vantagens chega a R$ 2.086,78, com os descontos das obrigações sociais, recebe um líquido de R$ 1.752,00. Enquanto isso, um coronel da PM na Paraíba tem como soldo básico R$ 1.200,00, com as gratificações recebe vencimentos de R$ 4.283,32.

Ainda de acordo com Antônio Erivaldo, o vencimento básico dos demais cargos da PC (como agentes de telecomunicação, escrivão e auxiliar de perito), ganham um líquido de R$ 748,00, depois dos descontos calculados com base em R$ 840,93 (soma do vencimento com vantagens).

“O motorista policial foi o único que teve correção salarial no pagamento do mês de maio, pois o salário passou de R$ 263,99 para R$ 300,00, com as vantagens, está recebendo R$ 614,00, sendo o líquido de R$ 547,45. Porém, o acréscimo foi de apenas R$ 19,05 e os demais continuam com os salários defasados”, relatou.

Na verdade, desde dezembro de 2004 a classe está esperando um posicionamento de Cássio Cunha Lima. “Encaminhamos em dezembro do ano passado um documento com reivindicações, pedindo transformação das gratificações em subsídios conforme assegura a Emenda Constitucional nº 41/2003”, lembrou o dirigente sindical. Criação de um plano de cargos e salários, com  a proporcionalidade de dois terços dos vencimentos dos delegados e peritos para os demais integrantes do Grupo GPC-600.

Antônio Erivaldo apontou, ainda, uma série de reclamações à respeito do Governo Cássio Cunha Lima. Congelamento das gratificações dos servidores da administração direta e indireta; não cumprimento de ordens judicias; não pagamento de precatórios e de diárias de policiais civis da 2ª Superintendência Regional da Polícia Civil (SRPC), em Campina Grande e da 5ª SRPC, em Patos (correspondente ao exercício de 2004); veto a isonomia salarial entre delegados e coronéis foram alguns dos pontos elencados.

Da Redação do Jornal
Giselle Ponciano