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Operação-Tartaruga na Polícia Civil

Dentro dos gabinetes das delegacias e nos corredores da Central de Polícia, localizada no bairro do Varadouro, em João Pessoa, não se fala em outra coisa desde o início da semana, a não ser na iminente possibilidade dos servidores da Polícia Civil deflagrarem uma greve branca, também chamada de Operação-Tartaruga.

Todo mundo vai pular fora

A paralisação seria causada por via indireta, através de uma avalanche de pedidos de licenças provocadas por diversos motivos, em reação à nova escala de serviço anunciada ontem pela delegada Daniela Vicuuna de Oliveira Trindade (na foto ao lado), atualmente investida no cargo de Gerente Executiva de Polícia Civil Metropolitana.

Delegada já foi grevista

Daniella é aquela mesma militante empolgada que se destacou na efervescência da última greve deflagrada no seio da categoria, liderada pelo atual diretor-administrativo do Detran e agente de investigação Flávio Moreira (ex-candidato a deputado federal pelo PSB e presidente licenciado da Aspol).

Liderança na categoria

Na ocasião, ela mandou uma mensagem de apoio ao movimento paredista através de seu e-mail pessoal, cujo conteúdo foi publicado pelo site www.sindepol.com.br, contendo um comentário extremamente jocoso criticando o então governador Cássio Cunha Lima (PSDB), hoje aliado do socialista Ricardo Coutinho.

Reunião de advertência

Na 4ª feira (dia 19), no auditório da Espep (Escola de Serviço Público do Estado), sediada em Mangabeira, foram convocados todos os escrivães da Polícia Civil, a pretexto de receberem novas instruções normativas de natureza cartorárias, numa determinação dos atuais dirigentes da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado.

Cargo na secretaria

Antes de assumir esta função atual, a delegada exerceu um cargo de apoio como corregedora-auxiliar da Polícia Civil, cumprindo apenas um expediente, durante a gestão do ex-secretário Gustavo Ferraz Gominho, ainda no mandato do ex-governador José Maranhão (PMDB). Ela é natural do Estado de Goiás.

Nova escala de trabalho

Agora, ela está tentando implantar junto aos funcionários públicos que prestam serviços na Polícia Civil, um regime de trabalho baseado no turno de escala em plantões de 12/36 horas, cuja operacionalidade tornará obrigatório o fechamento de todas as Delegacias Distritais da área metropolitana da Capital no turno da noite, durante os dias de feriado, aos sábados e domingos, inclusive nas cidades circunvizinhas a João Pessoa, como os municípios de Bayeux, Santa Rita e Cabedelo.

Policiais preparam reação

Os escrivães e os agentes de investigação voltaram a se reunir nesta 5ª feira, às 13h00, no mesmo local (Auditório da Espep, em Mangabeira, defronte ao prédio onde funciona o Detran). Houve uma série de apelos à Gerente Executiva, para que a própria Daniella sugerisse aos seus superiores, em particular o secretário titular, delegado da Polícia Federal Cláudio Lima (na foto acima, ao lado dela), outra opção administrativa para a implantação de tais medidas, cujas conseqüências poderão ser desastrosas para o funcionamento normal das DD’s.

Desabafo dos prejudicados

Algumas frases formuladas pelos escrivães e agentes, durante a reunião, foram estas, transcritas ipsis-litteris, abaixo:

– Imagine você morar em Cabedelo e ter que se dirigir a uma delegacia perto de sua residência para resolver algum tipo de problema qualquer e então descobrir que a mais próxima de sua casa será a localizada na avenida Epitácio Pessoa (3ª DD – Central de Flagrantes), distante 18 km do seu local de moradia ou veraneio?

Plantonistas sem descanso

– O que nós pedimos é que vocês nos ajudem a tentar mudar essas idéias, pois vão acabar prejudicando toda a sociedade e a todos os policiais civis, pois não teremos descanso e o serviço prestado por nós à população vai piorar ainda mais.

Amizade governamental

A delegada Daniela Vicuuna conheceu o governador Ricardo Coutinho (PSB) por acaso, durante um determinado jantar com alguns familiares dela de origem nordestina, que estavam se confraternizando no restaurante Tererê, localizado na praia do Cabo Branco.

Na época da campanha

A delegada goiana pediu licença a essa parte de sua família, para poder fazer companhia a um homem magro e bastante discreto que estava jantando sozinho. Era o ex-prefeito da Capital e – então – apenas, ainda um mero candidato ao cargo de governador do Estado.

Relato da crise interna

Drª Daniella se apresentou como delegada a Ricardo e obteve a permissão de sentar-se à mesa, para então mostrar em detalhes ao postulante socialista ao Palácio da Redenção, quem era quem dentro da instituição onde ela trabalha, politicamente falando.

Confiando nas revelações

Ela fez um croqui do esqueleto interno da secretaria para o futuro governador, contando muitas coisas que ele jamais esperava ouvir de uma policial civil e acabou ganhando a confiança do atual morador da Granja Santana, que terminou lhe nomeando para a gerência-executiva da PC na Capital e cidades em seu entorno, em retribuição ao relato recebido.

Onda de férias e licenças

Como a Polícia Civil passou 17 anos sem realizar concurso público para renovação dos seus quadros profissionais, cerca de aproximadamente 60% dos servidores efetivos estão engatilhados para solicitar licenças prêmios de 6, 7 e até 9 meses de duração, além de pedirem administrativamente uma ou duas férias anuais ainda não gozadas.

Enxurrada de aposentadorias

Eles projetam também pedir várias licenças para acompanhamento de familiares e licenças para tratamento de saúde, assim como também inúmeras aposentadorias, somente com o intuito de escapar ao famigerado plantão de 12/36 horas. A escala atual é de 24/48 horas, para delegados, escrivães, peritos, motoristas policiais e agentes de investigação

Fonte:
Jornal Correio da Paraíba

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