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Gemol deixa cadáveres expostos


gemol2010Cadáveres expostos, vestígios de sangue no chão, estrutura precária, deficiência de profissionais e dois corpos disputando o mesmo espaço em uma única câmara frigorífica foram algumas das irregularidades encontradas na Gerência Executiva de Medicina e Odontologia Legal (Gemol), em João Pessoa, durante inspeção realizada ontem pelo Ministério Público e órgãos técnicos responsáveis. A partir do relatório elaborado pela equipe de inspeção, a Gerência de Vigilância Sanitária do município deverá notificar a Gemol. A possibilidade de uma interdição não está descartada.
A gerente operacional da Gemol, Verônica Lucena, disse que vai esperar os relatórios da vistoria e acatar as decisões tomadas pelas autoridades, além de notificar os fatos ao secretário de Segurança e às autoridades competentes. “O Instituto de Polícia Científica não cabe mais no lugar onde se encontra. O governo do Estado está bem intencionado em edificar outro IPC, cujo terreno já foi doado. Nós esperamos nos próximos quatro anos atender melhor a população que nos procura. Enquanto isso, procuraremos sanar essas deficiências”, disse.
De acordo com o promotor de Saúde do MP, João Geraldo, a situação da Gemol em João Pessoa é lamentável. “Infelizmente nos deparamos com um quadro muito negativo e comprometedor da saúde pública, ao passo em que a gente não pode restringir a saúde apenas ao ser humano que está vivo. Após o seu óbito, a saúde pública também exige cuidados”, ressaltou o promotor.
A precariedade pode ser constatada em praticamente todos os setores relacionados ao tratamento dos cadáveres. “Nós encontramos cadáveres em estado de decomposição, expostos ao ar livre, comprometendo a saúde da vizinhança, uma vez que existe uma grande proliferação de insetos que partem desses cadáveres. O odor é quase insuportável”, disse o promotor de saúde.
Na sala de refrigeração, a situação é parecida. “No setor de acondicionamento de cadáveres, dois deles estavam em uma mesma câmara frigorífica. Havia câmaras, inclusive, marcando 28 graus, temperatura mais próxima de um forno do que de uma câmara de refrigeração”, ressaltou. “A dignidade do ser humano na sua partida final está comprometida”, acrescentou.
O Conselho Regional de Medicina participou da inspeção e constatou irregularidades. De acordo com o chefe de fiscalização do Conselho Regional de Medicina, Aristides Mendonça, a infraestrutura está desgastada, os equipamentos enferrujados e faltam insumos. “Aqui está um caos completo. O ideal é ter pelo menos quatro médicos de plantão e normalmente só existe um”, acrescentou.

Larissa Claro

FONTE: Jornal Correio da Paraíba

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