Estudo mostra violência contra jovens

João Pessoa está entre as dez capitais brasileiras onde mais ocorrem homicídios na faixa etária entre 12 e 18 anos. Os dados são de uma pesquisa divulgada ontem pelo governo federal. O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) revela que a violência está migrando das capitais para as cidades de médio porte, já que no ranking, João Pessoa está na 74ª posição nacional com índice de 2,78, sendo superada por outros dois municípios paraibanos: Santa Rita, na 31ª posição (índice de 4,22) e Campina Grande, na 61ª (índice de 2,97). As únicas capitais nas dez primeiras posições são Maceió e Recife. Segundo o estudo, estima-se que até o ano de 2012, 533 adolescentes paraibanos devem morrer antes de chegar à maioridade. E o risco destas mortes ocorrerem por arma de fogo é três vezes maior que por outros meios.
Para cada mil adolescentes dos municípios pesquisados, morrem mais de quatro em Santa Rita e mais de dois em Campina Grande e João Pessoa. Estima-se que até 2012 morram 84, 171 e 278 adolescentes, respectivamente, nas três cidades citadas. As chances das mortes envolverem meninos é 12 vezes maior do que entre meninas. A pesquisa cita ainda João Pessoa e Santa Rita como parte do grupo de municípios com maiores riscos de que as mortes ocorram entre adolescentes negros. A posição de cada cidade é explicada pela relação entre o IHA e a quantidade de adolescentes, no ano de 2006 – usado como base para a pesquisa.
O IHA serve para estimar o risco de mortalidade por homicídio de adolescentes e foi calculado em todos os municípios com mais de cem mil habitantes no Brasil, em 2006. As fontes para o cálculo são o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, o Registro Administrativo (declarações de óbito), dados sobre mortalidade de residentes 1979 a 2005 e as estimativas populacionais oficiais para os municípios brasileiros. O estudo explica ainda que os municípios em que existe um alto grau de violência letal nas faixas de 12 a 18 anos, tendem a ser os que também tem alta incidência de homicídios nas faixas de 20 a 29 anos. O estudo foi elaborado pelo Observatório de Favelas, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Em seis anos, 33 mil assassinatos

Brasília (Folhapress) – Mais de 33 mil adolescentes serão assassinados entre 2006 e 2012, prevê o IHA (Indicador de Homicídios na Adolescência), divulgado ontem pelo governo federal, Unicef e Observatório de Favelas. De acordo com o estudo, de cada mil adolescentes que completam 12 anos no Brasil, 2,03 são mortos por homicídio antes de completar 19 anos. Foram analisados dados de 2006 de 267 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
A cidade de Foz do Iguaçu (PR) lidera o ranking de mortes violentas entre adolescentes, com 9,7 mortes para cada grupo de mil adolescentes. Em seguida vem Governador Valadares (MG), com 8,5 mortes e Cariacica (ES), com 7,3 mortes.
Entre as capitais, Maceió (AL) e Recife (PE) apresentam os piores números, com 6 mortes para cada mil adolescentes cada. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 4,9 mortes. A cidade de São Paulo ocupa o 24º lugar entre as capitais com 1,4 morte a cada mil jovens.
Em números absolutos, porém, a capital paulista tem o segundo maior número de mortes de adolescentes entre as capitais, com 1.992 mortes, atrás apenas da cidade do Rio de Janeiro, que tem 3.423 mortes. Dos 19 municípios que apresentaram taxa zero de homicídios entre adolescentes em 2006, nove estão no Estado de São Paulo.


Lorenna Rodrigues e Flávio Asevêdo

Fonte: Jornal Correio da Paraíba