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ESTUDIOSO AFIRMA QUE BANDIDOS ESTÃO MIGRANDO PARA A PARAÍBA POR ENCONTRAR FACILIDADE

“Estes são os chamados crimes de oportunidade. Fazem porque têm oportunidade de fazer”.

fig03j2011O professor doutor em sociologia da Universidade Federal de Campina, Fábio Freitas, disse nesta quarta-feira (23) que tem havido uma migração do tráfico de drogas de outros estados do país para a Paraíba. E isso se deve, segundo o professor, pela falta de uma política de segurança pública para os municípios do interior da Paraíba.

Fábio Freitas falou sobre “Direitos Humanos e Violência no Estado da Paraíba”, durante palestra proferida no I Fórum Intermunicipal de Segurança Pública do Estado da Paraíba, promovido pelo Ministério Público da Paraíba por toda esta quarta-feira (23), em Lagoa Seca.
“Nós estamos vendo um grande número de assaltos a caixas eletrônicos, agências bancárias e empresa dos Correios no interior, com os marginais fortemente armados. Enquanto isso, os municípios não têm contingente policial que possa inibir esse tipo de crime”, afirmou o professor doutor ao defender a interiorização da segurança pública na Paraíba.

Para ele, há facilidades para que os bandidos atuem no Estado e venham dos estados vizinhos e até do Rio e São Paulo. “Estes são os chamados crimes de oportunidade. Fazem porque têm oportunidade de fazer”, enfatizou.

Durante sua palestra no Fórum, Fábio de Freitas apresentou propostas de políticas públicas de prevenção voltadas especialmente para os crimes contra a criança e o adolescente, a juventude de uma maneira geral que são, segundo o professor, as maiores vítimas. Defendeu políticas para as mulheres e para as chamadas minorias de um modo geral e as políticas de segurança pública para o interior.

Ele fez um breve resumo da violação dos direitos humanos na Paraíba, citando as áreas mais críticas. Disse que poucos são os relatórios existentes acerca dos registros de violência.

Fábio Freitas citou alguns dados sobre a violência e a criminalidade nas cidades de Patos, São Bento e Campina Grande, chamando a atenção dos participantes da necessidade de se refletir sobre os dados e o que está por trás dessa situação.

De acordo com o professor, o primeiro relatório mais amplo sobre a violação dos direitos humanos na Paraíba foi feito em 2003 de lá para cá não há mais nenhum dado estatístico, e as informações são soltas. “Hoje em dia os dados são soltos. Alguma coisa sobre grupos de extermínio, alguma coisa sobre criança e adolescente, alguma coisa sobre violência contra a pessoa negra. Mas tudo separado, sem que tenhamos a real situação hoje no Estado”, declarou.

Na opinião do professor doutor, existem graves violações aos direitos humanos na Paraíba e apontou a violência contra a mulher como tendo crescido bastante, com vários registros de assassinatos, “apesar da Lei Maria da Penha estar em vigor e ser rigorosa com em termo de punição com relação aos crimes contra a mulher”.

Para ele, outra área crítica na questão da violência policial, com torturas e impunidade. Segundo o professor muitos crimes que ficam sem solução, principalmente nos casos de jovens que são mortos por conta do tráfico de drogas que ficam sem ser esclarecidos. “Temos que ver o porquê desses casos ficarem sem solução. O que está por trás disso? Não são solucionados por que as vítimas são pobres? Essa impunidade aumenta a violência”, disse.

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