DELEGADOS ABANDONAM CARGOS EM BUSCA DE MELHORES SALÁRIOS

CORREIO DA PARAÍBA

Domingo 30 de julho de 2006 – Página – Cidades

Delegados abandonam cargos em busca de melhores salários


Janaína Araújo e Paula Brito

Campina Grande – Delegados da Polícia Civil da Paraíba estão abandonando os cargos em busca de melhores salários em outros estados e concursos públicos viram objetos de desejo e fuga à procura de novas condições de trabalho. Dos 1.161 aprovados no concurso de 2003, mais de 200 pediram exoneração do cargo. O último vôo foi de 10 delegados que trabalhavam no Estado, aprovados no concurso do estado de Sergipe. Desde o dia 17 de julho, o grupo iniciou o curso de formação, com duração de dois meses, na Academia de Polícia Civil (Acadepol).
Eles trocaram um salário de R$ 2.865, 80, o mais baixo do país – segundo Sindicato dos Servidores da Polícia Civil da Paraíba – por um salário de R$ 7 mil reais, somados o salário mais os acréscimos de vantagens pecuniárias. A maioria pediu exoneração do cargo e outros solicitaram férias, para poder se dedicar exclusivamente ao curso.
O Presidente do Sindicato dos Servidores de Polícia Civil da Paraíba, Antônio Erivaldo Henrique de Sousa chama atenção para o estado de penúria. Erivaldo disse que a insegurança da sociedade aumenta à medida da deficiência e do caos da segurança pública. “Cerca de 20% dos concursados já pediram exoneração por causa dos baixos salários e das péssimas condições de trabalho. A situação dos delegados e das delegacias da Paraíba precisa ser revista com urgência. No Cariri e Sertão, as condições de trabalho são piores em relação às outras regiões. Faltam viaturas, telefones, computadores, agentes civis, escrivãs e a maioria das delegacias funciona em casas alugadas pelas prefeituras”, afirmou.

Insuficiente

Segundo Antônio Erivaldo Henrique, até agora somente 900 pessoas foram nomeadas, número insuficiente para cobrir o déficit de profissionais de 3,5 mil. Para ele, o atraso nas nomeações, aliada a falta de infra-estrutura, sobretudo nas regiões do Cariri e Sertão, são fatos que contribuem para o aumento do problema. “Os aprovados que estão aguardando não são nomeados, mas diariamente, vemos publicação de nomeação no Diário Oficial do Estado de pessoas não concursadas. “Isso é um desestímulo para as pessoas que prestaram o concurso”, disse. Erivaldo denunciou também a falta de compromisso do governo do Estado com a Polícia Civil, ao prometer e não cumprir a criação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos dos servidores, com também a ascensão profissional dos policiais antigos, que há três anos não são promovidos. [«]