CRISE EM ALAGOAS

REVISTA NORDESTE

ANO 2 – Nº 20 – FEVEREIRO DE 2008

CRISE EM ALAGOAS

Greve da Polícia Civil completa seis meses e índices de violência crescem no estado. Só em janeiro foram registrados 140 assassinatos

O estado de Alagoas é hoje o maior recordista de assassinatos no país, proporcíonalmente aos grandes estados. Desde o dia 1° de agosto de 2007, quando 90% dos policiais civis entraram em greve por melhores salários, nenhuma investigação está sendo feita. No estado já ocorreram 140 crimes, com três chacinas e morte de quatro policiais militares de tenente a soldado. Para o presidente da comissão e um dos responsáveis pela pesquisa, Gilberto Irineu, a situação é bastante crítica e requer com urgência uma solução para o problema.

A greve completou seis meses. Os poucos policiais que aparecem no trabalho fazem apenas registros de flagrantes. E a maioria dos crimes não vem sendo investigada. Numa delegacia, na região Metropolitana de Maceió, 50 inquéritos estão parados. Os policiais civis querem salários iguais aos dos peritos criminais, um aumento de 129%.

O governador em exercício de Alagoas, José Wanderley Neto, decretou estado de perigo iminente na segurança pública por ser considerado “grave risco à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”, segundo decreto. O governo já solicitou ao Ministério da justiça o envio de 300 homens da Força Nacional de Segurança para ajudar no policiamento do estado.

“O Governo do Estado vê a necessidade de tomar medidas que forcem os policiais a voltar ao trabalho ou então que esses policiais grevistas sejam excluídos da Policia Civil”, declarou Edson Sá Rocha, secretário de Defesa Social de Alagoas. O estado aguarda agora o envio da Força Nacional de Segurança. O pedido está sendo analisado pelo Ministério da justiça.

Os funcionários exigem a renegociação dos salários, e reclamam que o governador Teotônio Vilela Filho continua se recusando a discutir o assunto. O Governo do Estado declarou que irá descontar os dias de falta do pagamento, instaurar processo administrativo disciplinar e vai exonerar aqueles que ocuparem cargos de confiança. Os grevistas não se intimidaram e decidiram permanecer em greve.

Em caso de recusa ou ausência de policiais civis nas delegacias, a Polícia Militar poderá fazer o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e oficiais do Corpo de Bombeiros também poderão substituir os peritos criminais.