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Briga entre policiais – Sindicato acusa PMs de torturarem Agente

CIDADES
A-1 Paraíba * Quarta-feira, 12 de março de 2003

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Briga entre policiais

Sindicato acusa PMs de torturarem agente

Pettronio Torres

O enterro do agente Jessé de Melo foi marcado pela emoção dos familiares e amigos do policial

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Paraíba, Antônio Erivaldo de Souza, acusou policiais militares, que trabalham no município de Rio Tinto, no Vale do Mamanguape, de torturar o agente da Polícia Civil Etiene Alves Coutinho. A acusação foi feita em público, ontem, durante o sepultamento do policial civil Jessé de Melo, no Cemitério Parque das Acácias, em João Pessoa. Jessé foi morto em um tiroteio, anteontem, em Rio Tinto. Além dele, o cabo da Polícia Militar, Pedro Oliveira, também morreu durante o mesmo tiroteio. Ainda durante o sepultamento, uma salva de tiros foi feita por 23 policiais civis em homenagem ao agente Jessé.

“O Jessé foi agredido e torturado por policias militares mesmo após ter sido preso. Meu protesto, em nome de todos os policiais civis do Estado da Paraíba, é contra estes PMs e não contra a Corporação da Polícia Militar. Espero que os culpados sejam punidos. É o mínimo que pode ser feito”, disse Antônio Souza.

O presidente do Sindicato disse lamentar que policiais civis paraibanos tenham que fazer “bicos” para sustentar suas famílias com dignidade.

“Quase todos os policiais civis fazem ‘bico’ para ter como sustentar sua família. Muitos trabalham de garçom, frentista, taxista, segurança particular, cobradores, enfim, várias ocupações. Em algumas funções eles acabam se arriscando. A Paraíba tem, hoje, aproximadamente, 1.250 policias civis. Só para se ter idéia, um agente motorista da Policia Civil recebe R$ 233,00. Já um agente de investigação recebe R$ 385,00. Como alguém vai sobreviver com um salário deste?”, questionou.

Esta é a terceira morte de um policial civil este ano fazendo trabalhos paralelos a sua função. A primeira morte foi em Campina Grande, quando um policial civil estava trabalhando de frentista e foi assassinado. O segundo caso aconteceu em Sousa, quando o policial trabalhava de cobrador.

Civis fazem “Bicos”

De acordo com a Lei 4273/81 do Estatuto da Po-lícia Civil é proibido qual-quer policial civil ter uma outra ocupação. “Mas, na realidade, não podemos seguir essa lei. É uma questão de sobrevivência”, afirmou Antônio Souza.

A reportagem tentou ouvir o secretário de Seguran-ça da Paraíba, Noaldo Alves, e o comandante da Polícia Militar, coronel Lima Irmão. Mas, eles não foram localiza-dos por suas assessorias.

Investigação

O delegado Paulo Mar-tins, que foi designado pelo secretário de Segurança da Paraíba, Noaldo Alves, para investigar o caso, trabalha com a hipótese de um suposto assalto como moti-vo central para o tiroteio que acabou com a morte de dois policiais, sendo um civil e outro militar.

“Foi por causa deste suposto assalto que ocorreu o tiroteio em Rio Tinto. Pelos menos esta é a versão oficial, até o momento. Estou indo amanhã (hoje) para Rio Tinto ouvir algumas supostas testemunhas e esclarecer esta história”.

O delegado contou que já tomou conhecimen-to do desaparecimento da arma do policial Jessé. “Irei investigar, além da morte dos dois policiais, o desa-parecimento desta arma do agente Jessé”, diz.

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