BRAÇOS CRUZADOS: POLICIAIS EM GREVE VÃO PEDIR DINHEIRO NAS RUAS

Depois de terem seus salários cortados, os inspetores e escrivães decidiram buscar ajuda financeira da população

greve2011Quase cinco meses após a deflagração de uma greve, a categoria dos policiais civis do Estado do Ceará decidiu ir às ruas de Fortaleza pedir dinheiro à população. A decisão foi tomada pelos grevistas após o corte de salários por parte do governo. Inspetores e escrivães afirmam que, com os descontos no contracheque, não terão como honrar seus compromissos nem mesmo arcar com as despesas com seus familiares.

“Esses policiais que tiveram o corte (de salários) não podem sair prejudicados. Como eles vão comer, pagar as contas e sustentar as suas famílias?”, indagou, ontem, Inês Romero, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpoci). Pelo menos, 199 servidores tiveram um desconto médio de 60 por cento em seus salários do mês de novembro. Os cortes foram feitos pela Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), responsável pela gestão financeira estadual.

Nas ruas

Segundo o Sinpoci, a intenção do movimento agora é percorrer ruas, praias e praças da Capital e de outras cidades do Estado, pedindo dinheiro à população. Inês Romero informa que a entidade não sabe ainda quais os critérios usados pelo governo para estabelecer o corte salarial nem a escolha dos policiais que teriam sido punidos com a redução salarial. “Não sabemos quais os critérios que foram levados em consideração, já que não houve processo administrativo”, explica a sindicalista.

Greve

O movimento dos policiais nas ruas deve ocorrer somente na próxima semana. “O sindicato está preparando o material para a divulgação”, disse Inês.

A paralisação das atividades dos policiais civis cearenses teve início no dia 2 de julho. Os servidores prepararam uma lista de reivindicações que apontavam a necessidade de concurso para a contratação de novos agentes, a retirada de dezenas de presos das delegacias e, ainda, melhoria salarial. No dia 5 de julho, o juiz de Direito, Paulo de Tarso Nogueira Pires, da Sexta Vara da Fazenda Pública, julgou liminarmente o pedido de ilegalidade da greve e considerou a paralisação ilegal. A greve, foi suspensa pela categoria, mas retomada em 15 de outubro. Dez dias depois, o Tribunal de Justiça do Ceará anulou a decisão do juiz. O TJ ainda não julgou a legalidade.

Desconto

60 por cento foi o corte nos salários de 199 policiais civis, entre escrivães e inspetores. A decisão do governo foi recebida com indignação pela categoria.

FERNANDO RIBEIRO
EDITOR DE POLÍCIA